Os primeiros dias com um bebê são repletos de descobertas, emoções e, principalmente, dúvidas. Conhecer o que é esperado nessa fase ajuda a reduzir a ansiedade e permite que a família aproveite esse momento com mais segurança e tranquilidade.
Trazer um recém-nascido para casa é um dos momentos mais marcantes da vida de uma família. Ao mesmo tempo em que o amor transborda, surgem inúmeras perguntas: “Será que ele está respirando bem?”, “Está com frio?”, “Está mamando o suficiente?”, “Posso dar colo toda hora?”.
A boa notícia é que muitos comportamentos considerados “estranhos” são completamente esperados nos primeiros dias de vida. Entender essas mudanças ajuda os pais a diferenciar o que é normal dos sinais que realmente precisam de atenção médica.
1. A respiração do recém-nascido é diferente da nossa
É comum que os pais observem o bebê respirando rapidamente e, em seguida, façam pequenas pausas de alguns segundos.
Isso acontece porque o sistema respiratório ainda está em processo de adaptação à vida fora do útero. Esse padrão é chamado de respiração periódica e costuma ser fisiológico em recém-nascidos saudáveis.
No entanto, é importante procurar atendimento médico caso o bebê apresente dificuldade para respirar, pele arroxeada, chiado intenso ou pausas prolongadas acompanhadas de alteração na cor da pele.
2. Mãos e pés frios nem sempre significam que o bebê está com frio
Um dos erros mais comuns é agasalhar excessivamente o recém-nascido.
Nos primeiros meses, a circulação periférica ainda está amadurecendo, por isso mãos e pés podem permanecer frios mesmo quando a temperatura corporal está adequada.
O ideal é verificar a temperatura na nuca, no peito ou nas costas do bebê.
O superaquecimento pode causar desconforto, irritabilidade, brotoejas e até aumentar o risco de complicações relacionadas ao sono.
3. Dormir muito e mamar pouco nos primeiros dias pode ser esperado
Logo após o nascimento, o bebê ainda está se recuperando do parto.
Além disso, seu estômago é extremamente pequeno — nos primeiros dias comporta apenas pequenas quantidades de leite.
Por esse motivo, é normal que as mamadas sejam frequentes, porém com pequeno volume, enquanto o recém-nascido passa boa parte do tempo dormindo.
O acompanhamento com o pediatra é essencial para avaliar ganho de peso, hidratação e evolução da amamentação.
4. Espirrar e soluçar faz parte da adaptação
Muitos pais acreditam que qualquer espirro seja sinal de gripe. Na maioria das vezes, isso não é verdade.
O nariz do recém-nascido é muito sensível e reage facilmente à poeira, mudanças de temperatura e ao próprio processo de adaptação ao ambiente.
Os soluços também são frequentes devido à imaturidade do diafragma e costumam desaparecer espontaneamente.
Caso o bebê apresente febre, dificuldade respiratória ou secreção persistente, é importante procurar avaliação médica.
5. Dar colo não “vicia” o bebê
Esse talvez seja um dos maiores mitos da maternidade.
Nos primeiros meses, o recém-nascido ainda está aprendendo que agora vive fora do útero.
O colo oferece calor, segurança, aconchego e ajuda na regulação da temperatura, da frequência cardíaca e até do estresse.
Diversos estudos mostram que o contato pele a pele fortalece o vínculo afetivo, favorece o desenvolvimento cerebral e pode reduzir o choro.
Muito mais do que um gesto de carinho, o colo é uma necessidade emocional e fisiológica do bebê.
Quando procurar atendimento imediatamente?
Embora muitos comportamentos sejam normais, alguns sinais exigem avaliação médica urgente:
- Febre (temperatura igual ou superior a 38°C em bebês menores de 3 meses).
- Dificuldade importante para respirar.
- Pele arroxeada.
- Recusa persistente das mamadas.
- Sonolência excessiva com dificuldade para despertar.
- Poucas fraldas molhadas ao longo do dia.
- Convulsões ou movimentos anormais.
Na dúvida, nunca hesite em procurar o pediatra ou um serviço de urgência.
O olhar de Ana Tanus
“Como enfermeira obstetra e mãe, aprendi que nenhuma família sai da maternidade sabendo tudo. Os primeiros dias são um período de adaptação para todos. A informação correta não elimina os desafios, mas transforma medo em confiança. Lembre-se: seu bebê não precisa de pais perfeitos. Ele precisa de presença, acolhimento, amor e cuidado. Respire fundo, respeite o seu tempo e aproveite cada momento. Essa fase passa rápido, mas as memórias construídas com afeto permanecem para sempre.”
— Diz Ana Tanus
Você sabia?
Grande parte das preocupações dos pais nos primeiros dias está relacionada a comportamentos completamente fisiológicos do recém-nascido. Por isso, manter o acompanhamento pediátrico e buscar informações em fontes confiáveis é a melhor forma de viver esse início com mais tranquilidade.
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