A restrição ao uso recreativo do celular na escola nunca foi apenas uma regra disciplinar. Foi uma escolha arriscada e profundamente simbólica de recolocar as relações humanas no centro da experiência escolar.
Um ano após a implementação da Lei 15.100/2025, o debate retorna com força porque tocou num ponto sensível da educação contemporânea: a dificuldade de crianças e adolescentes em sustentar interações reais sem a mediação constante das telas.
O impacto no ambiente escolar
A lei vale para o ambiente escolar como um todo, permitindo o uso pedagógico do celular, mas foi no recreio e nos intervalos que seus efeitos se tornaram mais visíveis, justamente por atingirem o espaço de convivência.
Rapidamente, muitas escolas perceberam que proibir não bastava. Era preciso reocupar o espaço social deixado pelo celular. Em redes públicas e privadas, o recreio foi reinventado com:
- Jogos cooperativos: Xadrez e dama em áreas abertas;
- Clubes autônomos: Organizados pelos próprios alunos;
- Rodas de conversa: Atividades de convivência mediadas por educadores.
O tempo livre passou a ser, intencionalmente, tempo de encontro.
Mudanças Graduais e Comportamentais
O impacto não aconteceu da noite para o dia. Houve resistência, desconforto e conflitos. Com o tempo, porém, observou-se:
- Aumento das interações presenciais;
- Maior participação de alunos antes retraídos;
- Redução de conflitos associados ao uso recreativo do celular.
Mais do que números, houve mudança de postura: alunos reaprenderam a dividir o espaço, negociar limites e lidar com o outro sem recorrer à fuga digital.
“Ao estar diante de outra pessoa, é preciso ser apenas um ser humano” – Diz Carl Jung
A frase do psiquiatra não fala de simplicidade, mas de presença. Ao limitar a tela, a escola provocou esse encontro genuíno sem filtros, sem distrações e sem atalhos emocionais. Conviver exige experiência relacional e isso se aprende vivendo.
Reflexos no Ambiente Familiar
Os efeitos ultrapassaram os muros da escola e chegaram às famílias. Muitos pais relatam filhos mais presentes nas refeições, mais dispostos ao diálogo e menos isolados emocionalmente. Ao enfraquecer o celular como mediador das relações escolares, abriu-se espaço para vínculos mais consistentes também em casa.
A Permanência da Lei em 2026
É importante destacar: a lei segue válida em 2026. Não se trata de um experimento temporário. O debate atual não é sobre revogação, mas sobre aprimoramento. Isso revela que o uso de telas deixou de ser apenas uma escolha individual e passou a ser uma questão coletiva, educativa e social.
No fundo, essa discussão não é sobre celulares. É sobre como estamos ensinando crianças e adolescentes a se relacionar e que adultos estamos formando a partir disso.
Apoio Especializado
Se você deseja aprofundar essa reflexão, debater os impactos emocionais das telas ou pensar estratégias de convivência mais saudáveis entre escola e família, procure Cris Silva, psicóloga clínica, terapeuta de casais e CEO da Ducris Exclusive.
- E-mail: anacilva.psicologa@gmail.com
- WhatsApp: (14) 99774-5823
Esse é um tema que exige escuta, presença e responsabilidade. Exatamente aquilo que estamos tentando resgatar.
