Se você é mãe ou pai, provavelmente já viveu isso: um resfriado que começa “bobo”, mas que aos poucos vira noites mal dormidas, respiração barulhenta e aquele aperto no peito de quem só quer ver o filho bem.
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é uma das causas mais comuns dessa angústia e também uma das principais responsáveis por infecções respiratórias em bebês e crianças pequenas.
O que é o VSR e por que ele preocupa tanto?
O VSR é muito frequente, especialmente nos primeiros anos de vida. A maioria das crianças terá contato com ele antes dos dois anos de idade. Em muitos casos, os sintomas são leves, parecidos com um resfriado comum.
No entanto, em alguns bebês — principalmente os menores, prematuros ou com condições de saúde específicas — o vírus pode atingir os pulmões e causar bronquiolite ou pneumonia. É nesse momento que o sinal de alerta acende.
“Respiração rápida, esforço para respirar, chiado no peito, dificuldade para mamar ou se alimentar… sinais que deixam qualquer pai ou mãe em estado de alerta. E está tudo bem se sentir assim. Preocupação também é cuidado.” — Evelyn Fujito
A proteção existe e funciona
A imunização contra o VSR não é uma vacina “tradicional” como as do calendário infantil, mas uma forma de prevenção eficaz, pensada para proteger os bebês mais vulneráveis. Ela atua oferecendo anticorpos prontos, ajudando o organismo do bebê a se defender desde os primeiros meses de vida, justamente quando o sistema imunológico ainda está imaturo.
Quem deve se imunizar segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)?
Para garantir a segurança dos pequenos, a SBP estabelece critérios específicos para a imunização:
- Gestantes: Todas as gestantes a partir da 28ª semana de gestação (dose única). Os anticorpos são transferidos para o bebê, oferecendo proteção nos primeiros meses, onde o risco de gravidade é maior.
- Lactentes e bebês no primeiro ano de vida: Todos os recém-nascidos e lactentes menores de 1 ano que nascem durante, ou estão entrando, na primeira temporada de circulação do VSR.
- Crianças vulneráveis até 24 meses: Aquelas que permanecem vulneráveis à doença grave, incluindo condições de risco como:
- Doença pulmonar crônica da prematuridade;
- Cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica;
- Fibrose cística;
- Doenças neuromusculares;
- Anomalias congênitas das vias aéreas;
- Crianças imunocomprometidas;
- Síndrome de Down.
- Populações de alto risco com métodos tradicionais: Em grupos de risco (como prematuros e cardiopatas), a SBP recomenda o uso de palivizumabe como profilaxia durante a temporada do vírus.
Cada criança é única
Mais do que uma lista de indicações, é importante lembrar: cada criança é única. A decisão sobre imunização deve ser feita com informação, escuta e individualização, respeitando a história daquela família.
Conversar com o pediatra, tirar dúvidas e entender as opções disponíveis é sempre o melhor caminho para proteger quem mais amamos.
Evelyn Fujito Pediatra
