A morte do pequeno João Raspante Neto, de 13 anos, movimentou Marília de forma que poucos eventos conseguem fazer. Muitas pessoas saíram de suas casas para buscá-lo. O Corpo de Bombeiros, equipes de resgate e moradores que nem conheciam o menino se envolveram em uma busca que alimentou a esperança de todos durante horas.
Quando a notícia chegou, a dor foi coletiva. E com ela veio também a reflexão.
O luto e a singularidade do TEA
O Portal Mães & Filhos sente profundamente essa perda. João era autista não verbal, diagnosticado com TEA nível 3, o que significa que sua família conhecia bem as particularidades do seu filho: suas necessidades especiais e sua forma singular de estar no mundo.
Quando uma criança assim nos deixa, levamos conosco uma vida interrompida e toda a esperança de um caminho que estava sendo construído dia após dia.
Um convite à responsabilidade coletiva
O que essa história nos traz agora é mais importante que qualquer resposta sobre o que aconteceu. É um convite para olharmos coletivamente para o tema do cuidado com nossas crianças neurodivergentes.
Não se trata de apontar falhas ou responsabilidades individuais, mas de pensar genuinamente em:
- Proteção: Como protegemos melhor aqueles que dependem de nós?
- Segurança: Como criamos ambientes mais seguros para crianças com autismo, com deficiências ou com desenvolvimento diferente?
- Apoio: Como oferecemos suporte real e contínuo às famílias que enfrentam essa jornada todos os dias, muitas vezes sozinhas?
Os desafios da parentalidade atípica
Ser mãe ou pai de uma criança autista é lidar com desafios que quem não vive essa realidade raramente compreende.
- É estar em constante vigilância;
- É estar em constante aprendizado;
- É estar em constante busca de soluções.
É também carregar uma imensa responsabilidade emocional, porque cada decisão tomada e cada cuidado oferecido dizem respeito à vida e ao bem-estar de quem amamos profundamente.
Construindo comunidades acolhedoras
Comunidades seguras para crianças neurodivergentes não nascem do nada. Elas são construídas quando todos nós, juntos, reconhecemos que essas crianças merecem:
- Espaços pensados para suas necessidades;
- Pessoas atentas à sua volta;
- Apoio genuíno aos seus responsáveis.
É fundamental que educadores, profissionais de saúde, vizinhos e amigos entendam que acolher e proteger crianças com autismo é uma responsabilidade compartilhada.
“O Portal Mães & Filhos existe justamente para isso. Para lembrar que cada criança merece ser vista, ser respeitada, ser protegida.” – Equipe Portal Mães & Filhos
Como comunidade, temos o dever de estar atentos, presentes e dispostos a fazer melhor. Que o pequeno João descanse em paz e que sua história nos inspire a cuidar melhor uns dos outros, especialmente daqueles que dependem inteiramente de nosso olhar.
