“Todo mundo tem um pouco de TDAH.”
“Autismo é só um jeito diferente de ser.”
Essas frases parecem acolhedoras, mas podem simplificar demais experiências complexas e atrasar a busca por uma avaliação adequada.
É verdade que qualquer pessoa pode se distrair, esquecer coisas, se incomodar com sons ou se sentir exausta após interações sociais. Isso faz parte da vida. No TDAH e no autismo, porém, o que diferencia é a frequência, a intensidade, a persistência e, principalmente, o impacto desses sinais na aprendizagem, nas relações, no trabalho, na autonomia e no bem-estar emocional.
As redes sociais podem ajudar a levantar dúvidas e até trazer identificação, mas identificação não é diagnóstico.
Ansiedade, estresse, privação de sono, uso excessivo de telas e conflitos emocionais também podem afetar atenção, comportamento e comunicação. Por isso, vídeos e conteúdos informativos não substituem uma avaliação profissional cuidadosa.
É importante evitar dois extremos: transformar qualquer característica em transtorno ou romantizar a neurodivergência como se fosse apenas um “superpoder”.
Uma pessoa pode ser inteligente, criativa e capaz e, ainda assim, precisar de suporte.
Pode ter habilidades muito desenvolvidas em algumas áreas e grandes dificuldades em outras.
Reconhecer isso não diminui ninguém; pelo contrário, permite o cuidado adequado.
“Na prática clínica, compreendo que avaliar não é rotular. É entender a história, o contexto e as necessidades de cada pessoa para construir caminhos possíveis de intervenção.” — Diz Márcia Borbolan
Um diagnóstico bem feito não limita: ele organiza, reduz a culpa, orienta famílias e abre possibilidades reais de desenvolvimento.
- Não é falta de esforço.
- Não é falha dos pais.
- Nem tudo é apenas uma fase.
A aceitação radical, termo utilizado nas terceiras ondas da terapia cognitivo-comportamental, é uma excelente estratégia para um bom prognóstico. Isso ajuda, e muito.
“Aliás, isso para mim é metade do tratamento e do desenvolvimento desse ser humano.” — Diz Márcia Borbolan
Cada pessoa merece ser compreendida em sua totalidade, além dos rótulos e comparações.
Podemos e devemos olhar o sujeito como um todo e sob várias perspectivas. Isso, sim, é uma luz no fim do túnel para as famílias e para os indivíduos que receberam o diagnóstico.
TEA e TDAH não são sentenças: existem muitos caminhos para tornar toda essa jornada mais leve e compassiva.
Márcia Borbolan
Psicóloga clínica | CRP 06/81452
Fundadora da Clínica Essence Pompéia
Mais de 23 anos de prática clínica, com quase 34 mil horas de atuação. Psicoterapia de base Cognitivo-Comportamental, com práticas de Mindfulness e formação pela UNIFESP.
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