Ela percebe o cansaço dos filhos antes de qualquer sinal visível, administra as emoções da casa inteira e antecipa problemas que ainda nem apareceram.
O detalhe que costuma escapar dessa equação é o próprio corpo.
Quantas vezes uma mãe reconhece o esgotamento de quem ama e ignora os sinais que o seu organismo emite há dias?
A pergunta não é retórica e atravessa a rotina de quem vive em estado de alerta permanente, tentando dar conta de tudo até que a mente perde a clareza e qualquer situação passa a parecer maior do que é.
É nesse ponto que a meditação mindfulness revela a sua força.
Mas é preciso afastar um mal-entendido comum: mindfulness não é moda, não é religião e não se resume a um momento de relaxamento.
Trata-se de um treinamento de atenção e de autorregulação, com método e base científica.
A prática ensina a reconhecer pensamentos, emoções e sensações sem reagir de forma automática a eles.
Entre o que acontece e a resposta dada, surge um espaço de consciência, e é dentro desse espaço que mora a escolha.
Base Científica e Origem do Método
A seriedade dessa abordagem tem história.
O programa de redução de estresse baseado em mindfulness, conhecido pela sigla MBSR, foi criado em 1979 por Jon Kabat-Zinn na Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, e desde então se espalhou por hospitais e centros de saúde do mundo inteiro.
A literatura científica acumulada ao longo de décadas associa a prática à redução do estresse e da ansiedade, e estudos específicos com cuidadores familiares indicam benefícios diretos no enfrentamento do desgaste.
Não por acaso, a pesquisa descreve o mindfulness não como uma técnica de relaxamento, mas como uma mudança na forma como a pessoa se relaciona com as próprias experiências internas.
Benefícios Práticos para a Rotina Materna
Para uma mãe, esse aprendizado tem uma tradução muito concreta. Com prática regular e condução qualificada, o mindfulness pode contribuir para:
- Reduzir o estresse e a sobrecarga mental;
- Melhorar a atenção e a qualidade do sono;
- Reconhecer o esgotamento antes que ele se instale em definitivo;
- Responder melhor aos conflitos do dia a dia familiar.
O estresse de algumas mães de pessoas com autismo não é apenas emocional: pesquisas já identificaram marcas fisiológicas de estresse crônico semelhantes às observadas em soldados submetidos ao combate*.
Autorregular-se, nesse contexto, deixa de ser tratado como luxo ou egoísmo e passa a ser entendido como uma forma responsável de cuidar de si e, ao mesmo tempo, da família.
Uma mãe que se perde de si mesma perde também a capacidade de sustentar quem depende dela.
Condução Profissional Especializada
Quem conduz esse trabalho na região une formação e experiência.
Psicóloga com mais de duas décadas de prática clínica, a profissional é também Instrutora Profissional de Mindfulness com formação pela UNIFESP, qualificação ainda rara no entorno.
O método que ela oferece combina ciência, método e vivência para construir um treinamento seguro e aplicável à vida real.
A proposta não promete uma vida sem dor, e essa honestidade é parte do cuidado.
O objetivo é ensinar a não se perder dentro da dor quando ela chegar.
A autorregulação emocional não torna a vida menos difícil, e é importante que isso fique claro.
Ela cumpre outra função, igualmente decisiva: impede que, no meio da sobrecarga, uma mulher desapareça de si mesma enquanto tenta sustentar todos os que ama.
Cuidar de quem sustenta o mundo não é um detalhe a mais na agenda. É a condição para que esse mundo continue de pé.
Márcia Borbolan | Psicóloga, CRP 06/81452
WhatsApp: (14) 99101-1568
*Referência principal: Seltzer et al. (2010), Maternal Cortisol Levels and Behavior Problems in Adolescents and Adults with ASD, publicado no Journal of Autism and Developmental Disorders, DOI: 10.1007/s10803-009-0887-0.
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