A celebração começou antes do bolo.
Na tarde de 29 de agosto, mulheres se reuniram para marcar os três anos da Rede de Apoio Forte e Corajosas, dedicada a mães atípicas, e o encontro teve um momento que resumiu o sentido do trabalho.
Músicas dos anos 80 começaram a tocar e as mulheres dançaram.
Por alguns instantes, não existiram terapias, diagnósticos, agendas ou preocupações.
Existiam apenas mulheres rindo umas com as outras e reencontrando, em algum canto da memória, a menina e a mulher que sempre estiveram ali.
Do Início Despretensioso à Celebração Coletiva
A cena contrasta com o começo da história.
Há três anos, a rede nasceu na área da casa da fundadora, Dayane Wendy.
Eram poucas mulheres reunidas, cada uma carregando a própria história e a necessidade de encontrar alguém que pudesse dizer, mesmo sem muitas palavras, que entendia.
O que começou pequeno cresceu e, na celebração do aniversário, o cenário era outro:
- Presença de dezenas de mulheres reunidas;
- Momentos de dança, música e risadas;
- Espaço de partilha com abraços, lágrimas e mesa farta;
- Acolhimento emocional mútuo e fortalecimento coletivo.


Cuidado Emocional e a Mulher Além da Maternidade
A psicanalista Rosângela Belini participou do encontro e proporcionou um momento especial.
A presença dela ajudou a evidenciar o que a rede representa na vida dessas mães.
Uma rede de apoio, na visão de quem organiza o grupo, não serve apenas para acolher a dor.
Serve também para devolver alegria, para lembrar uma mulher de quem ela é, para permitir que ela fale sobre si, cuide de si, dance e ria.
Por trás desse propósito existe uma questão que o grupo coloca em primeiro plano: antes de ser mãe, existe uma mulher, e ela continua ali.
Muitas chegam cansadas, tentando se reconhecer em meio a uma rotina em que quase tudo gira em torno do cuidado com o outro.
O trabalho da rede é ajudar essas mulheres a se reconectarem com a própria singularidade enquanto caminham juntas, sem que amar profundamente um filho signifique desaparecer dentro da maternidade atípica.
Três Anos de Histórias e Acolhimento
Três anos, para a fundadora, não são três dias.
São muitas histórias e muitas mulheres que chegaram buscando acolhimento.
Olhando a celebração, Dayane Wendy compreendeu que o grupo construiu mais do que encontros.
Construiu um lugar onde uma mulher pode chegar sendo colo para tantos e, por alguns instantes, permitir-se também ser cuidada.
“Cuidar de quem cuida também é ajudar a voltar para si” — diz Dayane Wendy.
Se nesses três anos a rede conseguiu fazer uma mãe se sentir menos sozinha, voltar a sorrir, dançar uma música que amava ou simplesmente lembrar que ela também importa, então há muito a celebrar.
“Desistir não é uma opção” — conclui a fundadora.
Dayane Wendy
Fundadora da Rede de Apoio Forte e Corajosas – Mães Atípicas
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