A história do Forte e Corajosas – Mães Atípicas não começou com uma grande estrutura, nem com um evento planejado. Começou de forma simples, vulnerável e necessária: na área da minha casa, no dia 1º de abril de 2023, quando decidi transformar dor em encontro e solidão em pertencimento.
O Nascimento de uma Missão
A semente nasceu dentro das clínicas, enquanto eu observava mães exaustas, carregando sozinhas a rotina, o preconceito e o cansaço de uma maternidade que exige muito mais do que o comum. Mães esquecidas até pela própria família, que já não eram convidadas para festas, reuniões ou momentos de alegria.
Ali, eu via nelas aquilo que também pulsava em mim: a falta de rede, de escuta, de abraço e de respiro.
Embora eu tivesse uma base forte em casa — meu marido e minha mãe, que sempre caminharam comigo —, eu sabia que a maioria não tinha esse apoio. E nas salas de espera, entre histórias quebradas e olhos marejados, entendi que aquelas mulheres carregavam silêncios demais.
Conversei com a minha mãe, que hoje é vice-presidente do projeto, e compartilhei minha angústia:
“Eu quero reunir essas mães, mas elas não têm com quem deixar seus filhos.” — Disse eu.
E ela respondeu aquilo que mudou tudo:
“Então nós vamos cuidar deles.” — Respondeu minha mãe.
O Primeiro Respiro Coletivo
E assim foi. Na primeira reunião, convidei três mães. Elas vieram com seus filhos — cada um com um nível de suporte diferente —, e os primeiros voluntários surgiram dentro da minha própria casa: minha mãe, meu marido, a Ester e o João.
Enquanto eles cuidavam das crianças, nós vivíamos algo que marcou o início de tudo: o primeiro respiro coletivo.
Essas três mães seguiram caminhando comigo e formaram a primeira diretoria espontânea daquele início tão puro e corajoso.
Expansão e Parcerias: Crescer, Multiplicar e Reinventar
A segunda reunião ainda aconteceu na minha casa, mas percebemos que o espaço já não comportava o tamanho da demanda. Foi então que a psicóloga Daiane Capitanio, amiga e parceira, ouviu nossa história e ofereceu ajuda:
“Se você quiser, cedo o espaço da minha clínica.” — Ofereceu Daiane.
E foi assim que chegamos à Clínica Crescer e Multiplicar, onde nossa primeira reunião fora de casa aconteceu — e onde muitas outras mães chegaram.
Com o tempo, mais portas se abriram. Entre essas parcerias essenciais, nasceu também o apoio da Clínica Reinventar, da fonoaudióloga Janaína, que passou a acolher nosso grupo com carinho e sensibilidade, oferecendo espaço, apoio e presença.
Hoje, fazemos reuniões tanto na Crescer e Multiplicar quanto na Reinventar — dois lugares que abraçaram nossa causa e permitiram que o projeto alcançasse muito mais mães.
Quem Cuida de Quem Cuida?
A cada encontro, o grupo crescia. A cada história, um novo motivo para continuar. A cada lágrima, um lembrete: ninguém deveria caminhar sozinha.
Dois anos depois, seguimos celebrando encontros mensais, compartilhando dores, vitórias, risos, choros e refeições. Também auxiliamos algumas mães com alimentos, orientações e suporte emocional, acreditando na força do cuidado integral.
Quando falei na Câmara Municipal, no dia 21 de maio, levei uma verdade que representa tudo o que somos e tudo o que defendemos:
“Quem cuida de quem cuida? Porque toda mãe que cuida de alguém também precisa ser cuidada.”
É por isso que existimos. É por isso que seguimos. É por isso que não desistimos.
Nossa Diretoria
Hoje, a nossa diretoria é formada por mulheres que caminham lado a lado comigo:
- Silvana;
- Leide;
- Estela;
- Ester;
- Débora;
- Patrícia.
Somos mães, lutadoras, sonhadoras. E juntas construímos algo que nasceu na área da minha casa — e hoje alcança o coração de Marília.

