Solenidade empossou 17 acadêmicos e reuniu escritores, autoridades, familiares e representantes da cultura em uma tarde de emoção e valorização da literatura.
A literatura mariliense viveu um momento histórico com a diplomação e posse de 17 novos integrantes da Academia de Letras de Marília (ALM).
Realizada no auditório do Centro Cultural Braz Alécio, a solenidade marcou oficialmente o renascimento da instituição após mais de 40 anos de inatividade.
O Portal Mães & Filhos esteve presente acompanhando essa tarde especial, marcada pelo resgate da memória, pela valorização da cultura e por homenagens emocionantes aos patronos e patronesses escolhidos para representar cada cadeira.
A cerimônia contou com a presença da secretária municipal de Cultura, Taís Vanessa Monteiro, do vereador Wilson Damasceno e de representantes de instituições
culturais.


Uma história iniciada em 1978
A Academia de Letras de Marília foi fundada em 4 de abril de 1978 por dez escritores que participaram de um concurso literário promovido pelo então Departamento de Cultura da Prefeitura de Marília.
Entre os fundadores estavam os irmãos José Henrique e Luiz Fernando Guimarães Ortega, presentes na retomada da instituição.
Luiz Fernando foi eleito e empossado presidente da ALM nesta nova fase.
Ao assumir a presidência, ele ressaltou a importância de Benjamin Soares de Azevedo para a história da entidade.
Considerado presidente de honra da Academia, Benjamin ocupava o cargo de coordenador de Cultura do município quando a instituição foi criada.
Um minuto de silêncio homenageou os acadêmicos que faleceram ao longo dos anos e deixaram suas contribuições para a literatura e a cultura de Marília.


Um compromisso com a língua e a literatura
O jornalista Ramon Barbosa Franco, um dos novos acadêmicos, conduziu a solenidade como mestre de cerimônias.
Em sua fala, relembrou a trajetória das academias de letras desde a criação da Académie Française, em Paris, em 1635, até a fundação da Academia Brasileira de Letras, em 1897, presidida inicialmente por Machado de Assis.
A presidente de honra da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura, Rosalie Gallo y Sanches, também participou da cerimônia.
Ela presenteou a diretoria da ALM com livros e manifestou o interesse da instituição de São José do Rio Preto em desenvolver futuras parcerias.
Para a secretária Taís Monteiro, a retomada da Academia representa um marco para a cultura e para a sociedade mariliense.
O vereador Wilson Damasceno manifestou apoio à entidade e colocou-se à disposição para encaminhar propostas que contribuam para a realização de projetos culturais.
Ana Carolina Tanus assume a cadeira de número 40
Entre as novas integrantes, a empresária, escritora e fundadora do Portal Mães & Filhos, Ana Carolina Tanus, foi diplomada para ocupar a cadeira de número 40, tendo como patronesse Cecília Meireles, uma das maiores vozes da literatura brasileira.
Em seu discurso, Ana relembrou sua trajetória como enfermeira, educadora, comunicadora, empreendedora, escritora e mãe.
Ao refletir sobre os diferentes caminhos que percorreu, destacou que todos são unidos pelo cuidado com as pessoas e pelo desejo de transformar vidas.
“Cecília Meireles eternizou sua voz por meio da literatura. Talvez essa seja uma das conexões que mais me aproximam dela: acreditar que, quando investimos em educação, literatura e infância, não estamos cuidando apenas das crianças de hoje — estamos cuidando da próxima geração”
— Diz Ana Carolina Tanus


Mulheres que inspiram por meio da escrita
A cerimônia também contou com a diplomação de autoras de destaque:
- Cláudia Magali Luiz: Escritora participante da coletânea A Busca de Toda Mulher, escolheu como patronesse a médica psiquiatra Nise da Silveira, reconhecida por revolucionar o cuidado em saúde mental por meio da arte e da sensibilidade.
- Ariane Medeiros: Homenageou como patronesse Zíbia Gasparetto, cuja obra alcançou milhares de leitores com mensagens de esperança e transformação.
- Bárbara Duarte Góes: Escolheu como patronesse Júlia Lopes de Almeida, escritora, cronista e uma das pioneiras da literatura brasileira, defensora ativa da presença feminina nas letras.
As homenagens reforçaram a relevância das mulheres na construção cultural e literária.
Cada nova acadêmica encontrou em sua patronesse uma conexão com a própria trajetória, seus valores e o legado construído por meio das palavras.
Emoção e memória na posse dos acadêmicos
Outros momentos marcantes integraram as homenagens e posses da tarde:
- Zery Monteiro: Bibliotecária e escritora, autora de quatro livros infantis, emocionou-se ao retornar à cidade natal para integrar a instituição.
- Márcio Cavalca Medeiros: Jornalista e secretário-geral da ALM, homenageou seu pai, Marcelino Medeiros, radialista pioneiro na implantação da frequência modulada no Brasil.
- Adriano Conca Patriani: Publicitário, escolheu como patrono o jornalista José Arnaldo Bravos.
- Mário Milani: Escritor e poeta, homenageou Luiz Rossi, recordando o trabalho conjunto na edição de obras do patrono.
Ao longo da solenidade, cada novo acadêmico apresentou a história de seu patrono ou patronesse, resgatando memórias e contribuições essenciais.
Mais do que ocupar uma cadeira, a posse representa o compromisso contínuo de preservar a memória histórica e incentivar novos escritores.
Para Ana Carolina Tanus, assumir a cadeira de número 40 reforça seu propósito de atuação:
“Quando uma mulher encontra sua voz e tem coragem de compartilhá-la, sua história deixa de pertencer somente a ela e passa a iluminar o caminho de muitas outras”
— Diz Ana Carolina Tanus
O evento marcou o encontro entre passado, presente e futuro, consolidando o início de um novo capítulo para a Academia de Letras de Marília na valorização das palavras e da cultura regional.




