Aprender uma música nova, descobrir uma técnica de desenho, entender como funciona um fenômeno da natureza ou até mesmo montar um cubo mágico.
Para crianças e adolescentes, a internet pode ser muito mais do que um espaço para assistir a vídeos e se divertir, pois, quando usada de maneira intencional, ela se transforma em uma aliada na descoberta de novos conhecimentos e habilidades.
Foi exatamente isso que aconteceu na casa de Maya Eigenmann, mãe de Luca e Nina e neuropedagoga.
Durante o Talk Conecta e Cuida, promovido pela Claro, ela contou que os filhos usam a tecnologia para explorar tudo aquilo que desperta a curiosidade deles.
O menino aprendeu a fazer crochê e a montar o cubo mágico acompanhando vídeos disponíveis na rede, enquanto a menina, apaixonada por desenho, encontrou novas técnicas por meio de conteúdos digitais.
“A internet pode ser uma ferramenta maravilhosa quando existe acompanhamento. Lá em casa, meus filhos usam a tecnologia para aprender coisas novas.”
— Diz Maya Eigenmann
A experiência dessa família evidencia uma das grandes possibilidades do ambiente digital, que é permitir que a curiosidade se torne o ponto de partida para buscar informações, conhecer atividades diferentes e desenvolver habilidades que nem sempre fazem parte da rotina escolar ou familiar.
Aprender também acontece fora da sala de aula
A internet já faz parte da vida cotidiana de crianças e adolescentes e pode ser usada para aprender, brincar, manter contato com outras pessoas e desenvolver habilidades.
Um relatório do UNICEF sobre a infância no mundo digital destaca justamente essas diferentes possibilidades do ambiente online e aponta que as atividades realizadas nesse espaço podem contribuir para o desenvolvimento de habilidades digitais.
Isso não significa, porém, que qualquer uso da tecnologia tenha automaticamente um efeito educativo, pois o que a criança faz quando está conectada é uma parte importante dessa equação.
Um vídeo sobre como tocar uma música pode ser apenas mais um conteúdo assistido, mas também pode despertar o interesse pela arte e levar a criança a pesquisar, praticar e buscar novos conhecimentos.
Da mesma forma, um tutorial de desenho pode ser o primeiro contato com uma técnica que ela passa a experimentar por conta própria.
É essa diferença que torna o uso intencional da internet tão importante.
A OCDE, em relatório sobre a vida das crianças na era digital, reforça que as tecnologias podem oferecer oportunidades de aprendizagem, acesso à informação, entretenimento e descoberta.
Da curiosidade à descoberta
Esse movimento pode acontecer em diversas áreas do conhecimento:
- Música e artes plásticas: técnicas de desenho, pintura e prática de instrumentos musicais
- Ciências e matemática: resolução de problemas, fenômenos naturais e raciocínio lógico
- Linguagens e tecnologia: aprendizado de idiomas e introdução à programação
- Habilidades práticas: culinária básica, fotografia e trabalhos manuais
A variedade de conteúdos disponíveis ajuda crianças e adolescentes a entrar em contato com assuntos que não aparecem necessariamente na rotina deles.
“O ponto principal é que eles não estão sozinhos nesse processo. Eu acompanho, converso e ensino que a internet também pode ser um lugar de descoberta.”
— Diz Maya Eigenmann
A fala reforça outro aspecto importante, pois a tecnologia não precisa ser encarada apenas como algo que deve ser controlado ou limitado, mas também como um ambiente para explorar interesses.
Para isso, a presença dos adultos ajuda a transformar o acesso em uma experiência mais consciente.
A tecnologia como complemento da escola
Quando se fala em aprendizagem digital, é importante não colocar a tecnologia como substituta da escola, pois a proposta é pensar em como ela pode complementar aquilo que acontece na sala de aula e ampliar as possibilidades de contato com diferentes conteúdos.
Na prática, isso significa que a internet pode funcionar como uma extensão das oportunidades de aprender, não necessariamente repetindo o conteúdo escolar, mas permitindo que a criança explore um assunto por outros caminhos.
O papel dos adultos no acompanhamento digital
A presença dos responsáveis é outro ponto fundamental, e a Academia Americana de Pediatria reconhece que as mídias digitais podem oferecer oportunidades relacionadas à aprendizagem, ao contato com novas ideias e conhecimentos e à socialização.
Ao mesmo tempo, ela recomenda que os adultos participem desse processo, ajudando as crianças a escolher conteúdos adequados e conversando sobre aquilo que elas encontram no ambiente digital.
Essa mediação não precisa significar acompanhar cada minuto de uso, pois pode envolver ações práticas da rotina:
- Conhecer os interesses reais da criança ou adolescente no ambiente virtual
- Indicar fontes confiáveis e canais educativos de qualidade
- Conversar sobre o conteúdo assistido e debater os temas abordados
- Estimular a prática, tirando o conhecimento da tela para o mundo real
“Eu acompanho, converso e ensino que a internet também pode ser um lugar de descoberta. Ao mesmo tempo, faço escolhas sobre os conteúdos consumidos.”
— Diz Maya Eigenmann
Para ajudar as famílias nessa relação com o ambiente digital, a Claro criou o Conecta e Cuida, um ecossistema que reúne conteúdos e orientações sobre cidadania digital e ferramentas que podem apoiar os responsáveis no acompanhamento da rotina online de crianças e adolescentes.
A plataforma está disponível gratuitamente para o público em geral, independentemente de a pessoa ser cliente da operadora, e pode ser acessada pelo site oficial do projeto.
Mais do que consumir: experimentar e criar
Outra possibilidade interessante é incentivar que a criança não fique apenas na posição de espectadora.
Assistir a um vídeo de desenho pode ser o começo para tentar desenhar, uma aula de música pode levar à prática de um instrumento e um tutorial pode despertar a vontade de construir, testar ou criar alguma coisa.
Esse uso mais ativo está alinhado à ideia de desenvolver habilidades digitais para que crianças e adolescentes possam participar do ambiente online de maneira produtiva.
Isso não significa transformar todo momento de tela em uma aula formal, já que a diversão continua sendo parte importante da experiência.
A questão central é reconhecer que aprender também pode acontecer enquanto a criança explora um interesse espontâneo, procura uma resposta para uma dúvida ou experimenta uma atividade nova.
Conexão com intenção e equilíbrio
A internet não é, por si só, boa ou ruim para a aprendizagem, pois as experiências variam de acordo com o conteúdo acessado, a forma de utilização, a faixa etária e as características de cada indivíduo.
Por isso, o caminho está menos em rotular todo tempo online e mais em ajudar a construir uma relação equilibrada e saudável com os dispositivos.
Para algumas crianças, a conexão pode revelar o interesse por música; para outras, pode abrir portas para o desenho, os idiomas, a ciência ou a programação.
Em muitos casos, uma simples curiosidade pode ser o primeiro passo para descobrir algo que antes nem fazia parte do repertório daquela família.
Quando existe acompanhamento sensível e espaço para explorar interesses, a tecnologia se revela uma verdadeira aliada na descoberta e no aprendizado infantil.


