Sandra Maria Barbalho, docente da Fatec Marília e do curso de Medicina da Unimar, acaba de entrar para o Top 2% World Scientists, lista elaborada pela Universidade de Stanford em parceria com a Elsevier. A conquista dela é também uma aula de inspiração para quem cria pequenos curiosos em casa.
Há listas que a gente lê e esquece em cinco minutos. E há listas que fazem a gente olhar para a própria cidade com outros olhos. Esta é a segunda.
A professora Sandra Maria Barbalho, que dá aulas de Bioquímica na Fatec Marília e integra o corpo docente do curso de Medicina da Unimar, acaba de ser incluída no Top 2% World Scientists, a seleção elaborada pela Universidade de Stanford, em parceria com a editora científica Elsevier, que reúne os pesquisadores de maior impacto do planeta.
Com milhões de cientistas publicando estudos todos os dias, estar entre os 2% mais citados do mundo é, em resumo, o equivalente a uma convocação para a seleção mundial da ciência. E uma das convocações acabou de sair para Marília.
A notícia foi anunciada em 19 de outubro pela Coordenadoria Geral de Ensino Superior do Centro Paula Souza, que celebrou a conquista junto com a Fatec Marília.
O que é essa lista, afinal?
Por trás do nome pomposo existe uma base de dados chamada “Updated science-wide author databases of standardized citation indicators”, algo como “banco de dados atualizado de autores de todas as ciências, com indicadores padronizados de citação”.
O nome é gigante, mas a ideia é simples de entender: pesquisadores de Stanford cruzam, a cada edição, os dados de citação de praticamente todos os cientistas do mundo, em todas as áreas do conhecimento, e montam o mapa de quem está realmente influenciando o rumo da ciência global.
A versão mais recente, a número 9, foi publicada em 7 de outubro de 2026 e o nome da professora Sandra está nela.
Na prática, a lista mede quantas vezes o trabalho de um cientista é citado como referência por outros pesquisadores. Todo artigo científico se apoia em dezenas de estudos anteriores, e cada citação funciona como um “valeu, sua pesquisa me ajudou a chegar aqui”.
Quando um nome acumula mais de 1.800 citações, como o da professora Sandra, significa que o trabalho dela já está embutido em centenas de pesquisas ao redor do mundo, das doenças metabólicas às plantas medicinais, dos compostos bioativos aos fitoquímicos.
É um reconhecimento sem troféu e sem tapete vermelho, porém muito mais duradouro: um trabalho científico bem-feito continua gerando frutos por décadas, muito depois de publicado.
Quem é Sandra Maria Barbalho?
Antes de qualquer ranking, Sandra é uma professora que construiu carreira no interior. Ela é mestre (1994) e doutora (1998) pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), leciona Bioquímica na Fatec Marília e é docente do módulo de Biologia Celular e Hereditariedade do curso de Medicina da Unimar.
Há quase 20 anos, ela dedica sua pesquisa a um tema que mistura tradição e rigor, que é o uso de plantas medicinais na prevenção e no tratamento de doenças crônicas, como diabetes, obesidade e câncer.
Sua linha de trabalho também abrange o metabolismo em doenças metabólicas, síndrome metabólica e doenças cardiovasculares, e doenças inflamatórias intestinais, sempre com olhos voltados aos alimentos funcionais e aos compostos naturais.
Entre os trabalhos mais reconhecidos dela estão revisões científicas sobre alimentos familiares às mesas brasileiras, como o açaí, e sobre compostos de frutas ainda menos conhecidas por aqui, como o mangostim.
E o trabalho de Sandra não se limita aos artigos. Ela já participou de mais de 100 bancas julgadoras, é revisora de mais de 30 periódicos internacionais e integra conselhos editoriais de revistas científicas.
Em entrevista ao G1/TV TEM, ela resumiu a filosofia que move duas décadas de pesquisa:
“Acreditamos que nossa contribuição, tanto para a comunidade científica quanto para a sociedade em geral, é essencial ao estudar essas doenças” – Diz Sandra Maria Barbalho
Por que essa pesquisa importa para quem tem filhos em casa?
Aqui a notícia sai do mundo acadêmico e entra direto na agenda das famílias. As doenças que a professora Sandra estuda são justamente aquelas que atravessam a rotina de muita gente: obesidade, diabetes, hipertensão, problemas do coração, condições que, cada vez mais, chegam cedo à vida das crianças e dos adolescentes.
Não é segredo para nenhuma mãe que as crianças de hoje crescem cercadas de ultraprocessados, telas e sedentarismo. E é exatamente nesse cenário que a pesquisa científica cumpre seu papel mais bonito: transformar “achismos” em orientação segura.
É a ciência que ajuda a responder quais compostos das plantas têm efeito real sobre o organismo, em quais condições, com quais evidências e quais são apenas modinha.
Um detalhe encantador dessa história é a ponte entre o conhecimento popular e a ciência formal. Muitas de nós crescemos ouvindo de avós e mães sobre os poderes de chás, temperos e plantas do quintal.
O trabalho da pesquisadora não substitui o pediatra nem o médico da família, pelo contrário, ele justamente investiga, com rigor de laboratório, aquilo que o senso popular afirma há séculos.
Ou seja, da próxima vez que a avó disser que determinada planta “faz bem”, pode ser que existam ou estejam surgindo estudos sérios sobre isso, alguns deles com assinatura mariliense.
Uma observação importante: nada de trocar remédio por chá caseiro. A dica de ouro é sempre conversar com o pediatra ou o médico da família antes de introduzir qualquer preparo à base de plantas na rotina das crianças ou na sua.
Pesquisa científica existe para orientar, e não para substituir, o cuidado profissional.
O que essa história ensina aos nossos filhos
Toda mãe sabe que crianças acreditam no que enxergam. “Ser cientista” pode parecer algo distante. A trajetória de Sandra conta uma história diferente.
Uma professora que fez mestrado e doutorado em São Carlos, escolheu o interior para viver e trabalhar, e construiu, aula após aula e artigo após artigo, um trabalho reconhecido pelo mundo inteiro.
Uma mulher. Do interior. Formada em universidades públicas. Entre os 2% mais citados do planeta.
Para as famílias que criam meninas, a mensagem é ainda mais incrível! A ciência tem espaço para elas e elas não precisam sair da cidade para ocupá-lo.
5 formas de aproveitar essa notícia em casa
- Conte a história na hora do jantar. Transforme a notícia em conversa: “Sabia que existe uma professora daqui da nossa cidade que está entre as cientistas mais citadas do mundo?”. Histórias reais de gente real inspiram muito mais do que qualquer sermão sobre estudar.
- Leve as crianças ao Museu de Paleontologia de Marília. O passeio é perfeito para despertar curiosidade e lembra que descobertas daqui já foram parar na revista Nature. Criança que vê fósseis de verdade entende que ciência se faz aqui também.
- Transforme a cozinha em laboratório. A pesquisadora estuda alimentos como o açaí. Aproveite a feira do mês para observar, comparar, perguntar: de onde vem, o que muda de cor, por que escurece. Ciência começa nos cinco sentidos.
- Responda o “por quê” com um “vamos descobrir juntos?”. Nem toda mãe sabe explicar por que o céu é azul e não precisa. Pesquisar junto, procurar em livro ou em vídeo confiável, ensina mais do que responder por cima ou fingir que a pergunta não existiu.
- Valorize a feira de ciências da escola. Participe, incentive, compareça. O interesse dos pais é combustível para a curiosidade dos filhos e quem sabe o próximo nome de Marília numa lista mundial não está aí, apresentando um projeto de vulcão.
E o que fica
A próxima geração de cientistas está, neste exato momento, fazendo a tarefa de matemática à mesa de jantar. A lista Top 2% World Scientists acaba de mostrar a elas que o caminho existe, tem endereço em Marília e pode começar com uma pergunta simples: “por quê?”.
Fontes
- Coordenadoria Geral de Ensino Superior do Centro Paula Souza (CGESG): “Professora da Fatec Marília é reconhecida entre os cientistas mais citados do mundo”, publicado em 19/10/2026 — https://cgesg.cps.sp.gov.br/professora-da-fatec-marilia-e-reconhecida-entre-os-cientistas-mais-citados-do-mundo/
- G1/TV TEM: “Pesquisadores do interior de SP aparecem entre os 2% mais influentes do mundo, segundo ranking internacional”, 17/12/2024 (atualizado em 12/12/2025) — https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2024/12/17/pesquisadores-do-interior-de-sp-aparecem-entre-os-2percent-mais-influentes-do-mundo-segundo-ranking-internacional.ghtml
- Perfis acadêmicos públicos da docente: Google Scholar e ResearchGate (Universidade de Marília — UNIMAR)
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