Menopausa e Incontinência Urinária Ganham Atenção e Encontram Tratamento Eficaz
Por Lara Menossi | Fisioterapeuta da Clínica Unique
A menopausa é um dos momentos mais importantes na vida de uma mulher, marcado por mudanças corporais profundas.
Essas transformações vão muito além das ondas de calor e das oscilações de humor que costumam dominar os debates sobre o tema.
Entre tantas alterações, existe uma condição que ainda é pouco discutida abertamente e que afeta a rotina de milhares de mulheres em silêncio.
Trata-se do enfraquecimento do assoalho pélvico e do consequente aumento dos casos de incontinência urinária.
Apesar de frequente, o quadro raramente aparece nas conversas do dia a dia e acaba sendo enfrentado em isolamento.
Compreender o funcionamento do organismo nessa fase é o primeiro passo para perceber que esse sintoma não precisa ser aceito como definitivo.
Existe tratamento para incontinência urinária eficaz, seguro e acessível para quem decide buscar orientação profissional.
O Que Acontece com o Corpo na Menopausa
Para entender a alta frequência do escape involuntário, é preciso analisar o papel biológico do estrogênio.
Esse hormônio atua diretamente na vitalidade dos tecidos que compõem toda a região pélvica feminina.
O estrogênio preserva o tônus muscular, a elasticidade e a sustentação dos órgãos pélvicos.
Com a chegada da menopausa, a queda acentuada desse hormônio fragiliza as estruturas de sustentação da bexiga e da uretra.
A musculatura perde tônus e os tecidos perdem sustentação, favorecendo o escape de urina.
Essa perda não surge ao acaso; ela se manifesta comumente em momentos de aumento da pressão intra-abdominal.
Tossir, rir, espirrar, levantar peso ou praticar exercícios físicos colocam à prova a resistência da região.
Quando o assoalho muscular está enfraquecido, a uretra não se mantém fechada, gerando perdas que variam de gotas a volumes maiores.
Esse processo costuma vir acompanhado de forte sensação de insegurança e perda de autonomia.
Muitas mulheres normalizam o quadro por acreditarem que se trata de uma consequência natural do envelhecimento.
Essa interpretação errônea retarda a procura por auxílio clínico e perpetua desconfortos evitáveis.
O quadro tem manejo clínico resolutivo e devolve à mulher o controle sobre o próprio corpo.
A Fisioterapia Pélvica Como Aliada
A fisioterapia pélvica atua de forma direcionada na reabilitação e no fortalecimento funcional dessas estruturas.
O plano terapêutico é sempre individualizado e respeita a biomecânica de cada paciente.
O ponto de partida envolve uma avaliação criteriosa para diagnosticar as causas da fraqueza muscular.
A partir desse diagnóstico, são aplicados exercícios terapêuticos específicos voltados ao ganho de tônus e controle motor.
Técnicas de consciência corporal ensinam a mulher a contrair e relaxar a musculatura perineal de forma coordenada.
Recursos complementares avançados otimizam a resposta clínica durante as sessões:
- Biofeedback: Monitora em tempo real as respostas musculares, facilitando o aprendizado motor da contração correta.
- Eletroestimulação: Emite impulsos controlados que auxiliam no recrutamento de fibras musculares profundas e enfraquecidas.
- Cinesioterapia Direcionada: Exercícios progressivos de fortalecimento do assoalho pélvico adaptados à rotina diária.
O objetivo do tratamento ultrapassa a redução do escape: restaura a liberdade para realizar atividades sociais, físicas e íntimas sem receio.
Transformação Clínica na Prática
O impacto da reabilitação perineal reflete-se diretamente na rotina diária das pacientes.
Uma paciente de 50 anos buscou suporte fisioterapêutico após passar meses dependente do uso diário de absorventes protetores por receio de perdas urinárias aos mínimos esforços.
Momentos simples, como caminhar no parque ou dar risadas com amigos, haviam se tornado gatilhos de apreensão.
Com intervenções regulares de fisioterapia pélvica, ajustes posturais e reeducação de hábitos, o quadro foi revertido em poucos meses.
A paciente eliminou o uso de protetores, resgatou a segurança funcional e retomou sua rotina sem restrições.
Os Dados Epidemiológicos da Condição
Os estudos científicos confirmam a magnitude epidemiológica da perda urinária no público feminino maduro:
- Entre 20% e 50% das mulheres na pós-menopausa apresentam queixas clínicas de incontinência urinária.
- A diminuição do estrogênio afeta diretamente a mucosa da uretra e os ligamentos de sustentação da bexiga.
- O índice de subnotificação permanece elevado devido ao estigma e à desinformação sobre recursos terapêuticos.
Quebrar a barreira da desinformação permite diagnosticar precocemente alterações funcionais e encurtar o tempo de sofrimento.
Acolhimento e Estrutura Integrada
O suporte em saúde íntima demanda escuta técnica e ambiente livre de julgamentos.
Fundada em 2020 por Jaqueline Amadeu, profissional com mais de 13 anos de experiência em reabilitação pelo movimento, a Clínica Unique consolidou um modelo de atendimento baseado no acolhimento integral.
A chegada da fisioterapeuta Lara Menossi expandiu a assistência clínica por meio da implementação do núcleo de fisioterapia pélvica.
O serviço cobre diferentes ciclos da mulher, tratando e prevenindo disfunções comuns:
- Incontinência urinária de esforço e de urgência
- Incontinência fecal e constipação intestinal crônica
- Dor na relação sexual (dispareunia e vaginismo)
- Diástase dos retos abdominais
- Prolapso de órgãos pélvicos (bexiga caída)
A intervenção preventiva nessa área fortalece a musculatura antes da instalação de lesões teciduais severas.
O Primeiro Passo para Recuperar o Controle
Perceber qualquer perda urinária, por menor que seja, é um alerta biológico de que o sistema de sustentação requer cuidados.
A incontinência urinária na menopausa não é uma sentença definitiva, e sim uma disfunção tratável com acompanhamento adequado.
O acesso à informação especializada permite recuperar a autoestima, a liberdade física e o pleno bem-estar em todas as fases da maturidade.




Referências Bibliográficas
- GAVRIELOVA, A. et al. Involuntary urine loss in menopause — A narrative review. Journal of Clinical Medicine, Basel, v. 14, n. 21, 2025.
- MOURA, E. C. et al. Prevalence and factors associated with urinary incontinence in climacteric women in a Northeastern Brazilian municipality: a household survey. Revista da Associação Médica Brasileira, São Paulo, v. 65, n. 3, p. 393–399, 2019.
- NORTON, C.; STASKIN, D. Incontinência urinária em mulheres no período pós-menopausa: um problema de saúde pública. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 12, n. 2, p. 159–173, 2009.
- RIBEIRO ITABORAHY, R. M. et al. Prevalência de Disfunções do Assoalho Pélvico em Puérperas. Brazilian Journal of Health Review, v. 3, n. 6, p. 19811–19820, 2020.
- FARIAS, T. J. T. P. et al. Fisioterapia pélvica na prevenção de disfunções do assoalho pélvico em gestantes. Mangaio Acadêmico, v. 10, n. 2, p. 46–52, 2025.
Aviso Importante — Conteúdo Informativo
As informações contidas neste artigo foram elaboradas com base em fontes científicas, experiência profissional e práticas reconhecidas na área da saúde e educação. No entanto, este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo, não devendo ser interpretado como aconselhamento médico, diagnóstico ou prescrição de tratamento.
Cada pessoa é única, e as condições de saúde variam individualmente. Por isso, nunca substitua a orientação de um médico, enfermeiro ou outro profissional de saúde habilitado pelas informações aqui apresentadas.
O Portal Mães e Filhos e seus colunistas não se responsabilizam por decisões tomadas com base exclusivamente no conteúdo publicado neste portal.
Em caso de emergência, ligue para o SAMU: 192


