Existe algo invisível, mas extremamente poderoso, presente todos os dias dentro das nossas casas e empresas: a nossa voz. Não apenas o que falamos, mas o tom que usamos, a intenção que carregamos e a forma como escolhemos comunicar.
Ser mãe e ser líder é, acima de tudo, exercer influência através das palavras. Poucas coisas moldam tanto o comportamento e a autoestima de alguém quanto aquilo que ele ouve repetidamente.
Palavras que constroem identidade
Uma criança que ouve constantemente frases de incentivo cresce internalizando sua própria capacidade. Por outro lado, um colaborador que escuta críticas destrutivas pode começar a internalizar a incapacidade.
Perceba: não é apenas sobre corrigir ou elogiar. É sobre qual identidade estamos ajudando a construir. Filhos e equipes acreditam, muitas vezes, naquilo que repetimos para eles:
- Se repetimos confiança: formamos segurança.
- Se repetimos crítica destrutiva: formamos medo.
“Comunicar é mais do que falar. É saber como falar.” — Lilian Tozin
Feedback: ferramenta de crescimento ou arma de desmotivação?
O feedback não deve ser o ato de apontar falhas, mas sim de orientar o crescimento. A diferença reside na abordagem:
- Em casa: Em vez de sentenciar “Você é desorganizado mesmo”, experimente dizer: “Eu sei que você consegue organizar seu material. Vamos tentar de novo?”.
- No trabalho: Troque o “Está tudo errado” por “Esta tarefa pode melhorar. Vamos ajustar juntos?”.
Usar frases assim pode parecer um gesto pequeno, mas o impacto emocional é gigantesco.
O tom fala mais alto que as palavras
Às vezes, o conteúdo está correto, mas o tom fere. A consequência de uma comunicação agressiva é catastrófica e, muitas vezes, difícil de resolver:
- Impacto nas crianças: Elas “se fecham” diante da impaciência.
- Impacto nos colaboradores: Eles se retraem e perdem a proatividade.
Quando a confiança se rompe silenciosamente, o gestor ou o pai perde sua principal ferramenta de influência. Lembre-se: ser firme não é ser agressivo e ser amoroso não é ser permissivo. É perfeitamente possível corrigir com dignidade e cobrar com respeito.
Comunicação que cura
Palavras também possuem o poder da cura. Um “eu acredito em você” pode resgatar alguém que duvidava de si mesmo. Na maternidade e na liderança, a comunicação é uma ferramenta de formação emocional.
Antes de falar, faça uma pausa e pergunte-se: “Minhas palavras estão construindo ou quebrando algo dentro de quem me escuta?”
No fim, liderar e educar não é apenas ensinar o que fazer, mas moldar como o outro se sente ao realizar a tarefa. A voz que usamos hoje ecoará na forma como nossos filhos e nossas equipes se enxergarão amanhã.
Lilian Tozin Consultora e Mentora de Liderança em Empresas Familiares Coautora do livro “Empresas Familiares em Foco” Método Liderança Transformadora (MLT) chancelado pelo MEC
