A violência doméstica possui múltiplas manifestações e todas deixam marcas profundas naqueles que a sofrem. Ela afeta profundamente a mulher, que é vítima direta, e atinge os filhos, que na chamada violência vicária se tornam igualmente vítimas desse abuso. O termo “vicário” vem do latim e significa “substituto”, sendo exatamente isso o que acontece quando um agressor, após perder o controle sobre a mulher frequentemente após uma separação, volta-se contra os filhos para provocar dor, culpa e sofrimento emocional na mãe.
Trata-se de uma das formas mais cruéis de violência porque o agressor não ataca a mulher diretamente, mas aquilo que ela mais ama. A criança passa a ser utilizada como instrumento de vingança, sofrendo violência psicológica, emocional e, em casos mais extremos, física. O agressor pode manipular o filho distorcendo a imagem materna, fazendo-o acreditar que a mãe não o ama ou não é digna de confiança. Esse processo gera sentimentos de raiva, insegurança e confusão emocional profunda na criança.
Nas situações mais graves, o agressor recorre a ameaças, negligência e até atentados contra a integridade física da criança, tendo como único objetivo atingir e ferir a mãe. Muitas mulheres acreditam que o divórcio ou o afastamento físico é suficiente para cessar a violência e recuperar a paz. No entanto, a violência vicária funciona de forma diferente: o agressor busca manter o controle e prolongar o sofrimento, utilizando os filhos como meio para continuar o abuso mesmo à distância.
As consequências dessa violência são devastadoras para toda a família. Para a mulher, há um sofrimento psíquico intenso, medo constante e culpa por não conseguir proteger completamente seus filhos. Para os filhos, os impactos incluem ansiedade, depressão, dificuldades escolares, problemas de socialização e traumas que podem durar toda a vida. Mais do que tudo, trata-se de uma violência de gênero porque atinge diretamente a mulher em sua condição de mãe, comprometendo toda a estrutura emocional e psicológica da família.
Se você se identifica com essa situação, é fundamental saber que isso não é culpa sua. O primeiro passo é buscar ajuda jurídica e psicológica para si mesma e para seus filhos. Registre qualquer sinal de ameaça ou comportamento abusivo que você ou seus filhos sofram, pois esses registros servem como documentação importante. Medidas protetivas podem e devem ser ampliadas para resguardar também os filhos, garantindo que tanto você quanto eles tenham segurança. Romper o silêncio sobre essa situação é um ato de coragem que pode, de verdade, salvar vidas.
ELAINI LUVISARI GARCIA
Graduada em Direito pela Univem;
Pós Graduada em Contratos pela Univem;
Pós Graduada em Metodologia Ensino Superior pela Faef;
Pós Graduada em Ética e Cidadania pela USP;
Pós Graduada em Direito Civil e Processo pela Faef;
Mestre em Direito pela Univem;
Professora Universitária e Advogada de Família.
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