Pequenas decisões diárias têm mais poder do que grandes promessas adiadas. Todo começo de ano traz a mesma promessa:
- “Depois das festas eu começo.”
- “Na segunda-feira eu foco.”
- “Depois do Carnaval eu me cuido.”
E quando percebemos, mais um ciclo se passou e o cuidado com a saúde continua ficando para depois. Como nutricionista clínica há mais de 14 anos, escuto essa frase com muita frequência no consultório. E posso te dizer com segurança: na maioria das vezes, o problema não é falta de informação. As pessoas sabem o que precisa ser feito. O que realmente trava a mudança é algo mais profundo.
O que está por trás do “depois eu começo”
A procrastinação do autocuidado raramente está ligada à preguiça ou falta de disciplina. Na prática clínica, o que mais observo é um conjunto de fatores que se acumulam:
- Sobrecarga emocional;
- Rotina exaustiva;
- Ansiedade;
- Relação fragilizada com a própria alimentação;
- Desconexão com os sinais do corpo.
Quando a mulher passa muito tempo cuidando de tudo e de todos, ela começa, sem perceber, a se colocar em último lugar. O “depois eu começo” vira um modo automático de sobrevivência. O problema é que o corpo não entra nesse acordo.
O perigo silencioso de sempre adiar
Enquanto o cuidado é adiado, o organismo continua respondendo. No dia a dia, isso pode aparecer como:
- Cansaço constante e queda de energia;
- Dificuldade para emagrecer;
- Inchaço frequente e alterações intestinais;
- Compulsão alimentar e ansiedade aumentada.
Muitas vezes, esses sinais são normalizados ou ignorados por muito tempo. Mas é importante entender: cada vez que você adia o cuidado com a sua saúde, seu corpo não pausa, ele continua acumulando sinais. Quanto mais tempo passa, mais difícil o organismo fica de responder.
O momento perfeito não existe
Existe uma armadilha muito comum: esperar o cenário ideal para começar. Esperar a segunda-feira, o mês virar ou a rotina “acalmar”. Mas a verdade é direta e libertadora: o momento perfeito não existe.
Saúde não se constrói em grandes recomeços dramáticos, mas em pequenas decisões consistentes:
- No copo de água que você lembra de beber;
- Na qualidade do seu café da manhã;
- No respeito aos sinais de fome e saciedade;
- No cuidado com o sono e com o emocional.
“Quem espera o dia perfeito muitas vezes permanece no mesmo lugar por anos.” – Cláudia Magali Luiz
Como sair do automático e dar o primeiro passo
A boa notícia é que você não precisa mudar tudo de uma vez. Mudanças sustentáveis começam de forma simples e estratégica:
1. Comece pequeno, mas comece
O erro mais comum é querer transformar toda a rotina de uma vez. O corpo responde melhor quando você melhora a hidratação, organiza o café da manhã ou ajusta os horários das refeições. Pequenos ajustes já começam a modular energia, metabolismo e humor.
2. Volte a escutar o seu corpo
Muitas mulheres chegam ao consultório dizendo que já não sabem mais o que o corpo precisa. Isso acontece porque silenciamos sinais importantes como fome real, saciedade, estufamento e fadiga. Parte fundamental do processo nutricional é reconstruir essa escuta interna.
3. Busque uma estratégia individualizada
O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. Na minha prática clínica, utilizo uma abordagem integrativa que inclui:
- Avaliação clínica detalhada e exames laboratoriais;
- Protocolos nutricionais personalizados;
- Bioressonância nutricional: ferramenta que auxilia na identificação de alimentos que podem estar inflamando ou dificultando o metabolismo.
Recomeçar é uma decisão, não uma data
Quem decide começar, mesmo de forma imperfeita, começa a mudar a própria história. Você não precisa de uma nova segunda-feira ou esperar o pós-Carnaval. Você precisa apenas decidir não se abandonar mais.
Seu corpo já está falando com você. Sua energia já está dando sinais. Sua saúde já está pedindo atenção. O melhor dia para cuidar de você é o dia em que você escolhe se priorizar.
Cláudia Magali Luiz Nutricionista Clínica Funcional Atendimento com abordagem integrativa e individualizada
