“Todo mundo tem um pouco de TDAH.”
“Autismo é só um jeito diferente de ser.”
Essas frases parecem acolhedoras, mas podem simplificar demais experiências complexas e atrasar a busca por uma avaliação adequada.
É verdade que qualquer pessoa pode se distrair, esquecer coisas, se incomodar com sons ou se sentir exausta após interações sociais.
Isso faz parte da vida.
No TDAH e no autismo, porém, o que diferencia é a frequência, a intensidade, a persistência e, principalmente, o impacto desses sinais na aprendizagem, nas relações, no trabalho, na autonomia e no bem-estar emocional.
As redes sociais podem ajudar a levantar dúvidas e até trazer identificação, mas identificação não é diagnóstico.
Ansiedade, estresse, privação de sono, uso excessivo de telas e conflitos emocionais também podem afetar a atenção, o comportamento e a comunicação.
Por isso, vídeos e conteúdos informativos não substituem uma avaliação profissional cuidadosa.
Os dois extremos do diagnóstico
É importante evitar dois extremos: transformar qualquer característica em transtorno ou romantizar a neurodivergência como se fosse apenas um “superpoder”.
Uma pessoa pode ser inteligente, criativa e capaz e, ainda assim, precisar de suporte.
Pode ter habilidades muito desenvolvidas em algumas áreas e grandes dificuldades em outras.
Reconhecer isso não diminui ninguém — pelo contrário, permite o cuidado adequado.
O papel da avaliação e intervenção
Na prática clínica, compreendo que avaliar não é rotular.
É entender a história, o contexto e as necessidades de cada pessoa para construir caminhos possíveis de intervenção.
Um diagnóstico bem feito não limita.
Ele organiza, reduz a culpa, orienta as famílias e abre possibilidades de desenvolvimento.
- Não é falta de esforço;
- Não é falha dos pais;
- Nem tudo é “apenas uma fase”.
Cada pessoa merece ser compreendida em sua totalidade, além dos rótulos e comparações.
— Márcia Borbolan
Psicóloga clínica | CRP 06/81452
Fundadora da Clínica Essence Pompéia
Mais de 23 anos de prática clínica, com quase 34 mil horas de atuação. Psicoterapia de base Cognitivo-Comportamental, com práticas de Mindfulness e formação pela UNIFESP.






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